“PAPIRUS em nova fase - em nova temporada - ALÉM DO PRINCÍPIO DO PRAZER
BLOG - STEER RH CONTATO













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Mais além do Princípio do Prazer
 Em .A. aprecio e daí, atrevo-me
 Absorvendo mim Mesmo
 Anti-Marmotagem
 Aquarela das Cores
 Em .B. bailo ao bel-prazer
 Botequim Poético
 Breves Histórias Cotidianas
 Em .C. cadencio em movimentos
 Celebreiros
 Em .D. desejo em desmensura
 De Gaulle Tinha Razão
 Dígito
 Em .E. efervecente emoção
 Ensaios do Eu
 Escucha me Porra
 E tenho dito
 Eterno Amor de Platão
 Em .F. farto-me da fome
 Feita em Versos
 Em .G. garimpo gozos
 Grande Onda
 Giramundo (...) Girassol
 Em .H. de haver faço harmonia
 Em .I. me inspiro com impudor
 Em .J. faço jus
 Em .L. latejo em labirintos
 Em .M. descubro outros matizes
 Mamas e Tramas
 Marcelo Brettas
 Moacir Caetano
 Monolito
 Mude
 Muiraquitã
 Em .N. norteio o que vinga
 Neurotóxicos e Chuvas Esparsas
 No Problem
 No Lado Escuro da Lua
 Em .O. observo o oculto e ouso
 Em .P. percorro-me em paixão
 Patrícia Costa
 Pérolas de Pérola
 Primícias Poéticas
 Em .Q. alimento meu querer
 Em .R. reedito o risco
 RevelAções
 Revelando Segredos
 Em .S. saboreio e me sincronizo
 Sabor de Gente
 Semeando Palavras
 Sem Pé Nem Cabeça
 Shilolo
 Em .T. tesão, textura e talento
 Textura
 Troca Letras
 Em .U. me umideço e ultrapasso
 Em .V. valorizo e verborrageio
 Vergonha dos Pés
 Véu de Maya
 Vida como uma Rosa
 Em .W. viro wildiana
 White Star
 Em .X. xereteio
 Em .Z. zanzo em zás-tras
 
 FOTO RABISCOS
 Ady Morena
 Kele Santana
 Moacir Caetano I
 Moacir Caetano II
 Moacir Caetano III







ALÉM DO PRINCÍPIO DO PRAZER
 

ONDE O MAR DEDILHA O CÉU

Na linha onde o mar dedilha o céu, uma onda envolvia-se com as espumas no dançar da maré e esquecia de conhecer a praia. Enchia-se de vigor e formava-se tão alta, mas tão alta e ainda mais alta que qualquer outra jamais havia ousado ter sido até então e, desmanchava-se a cada nova formação em um arrepio de tão veloz. Algumas vezes, em movimentos lentos, mais que lentos até, podia-se quase supor que pairava no ar como pintura. Algumas ondas incomodavam-se em demasia com a forma de como àquela havia escolhido mareá-las e, inultilmente, tentavam convencê-la a chegar até as areias da praia, “porque este, sim, era o propósito das ondas”, diziam elas, não sabiam bem porque, mas sabiam que era assim e que para desfrutarem do horizonte, precisavam antes banhar as areias e assim faziam dia após dia, sem questionarem, porque sentiam que assim tinha que ser. Mas como podia aquela onda ousar e apenas o céu dedilhar?

A jovem que nem desejava marear as outras ondas, apenas não entendia tal propósito e negava-se a fazê-lo simplesmente porque assim havia de ser. Mas ainda naquele mesmo entardecer, tendo o sol assistido o diálogo das ondas, ardeu como se estivesse ao meio-dia e fez brilhar na onda jovem, sua natureza mar. Tão forte foi tal chamado, que por mais que relutasse, algo intenso a impulsionava em direção à terra firme. Era desesperador, pensava a onda, ser tragada em direção a praia quando o seu desejo era somente ali permanecer. Relutava. Se fazia alta e a cada nova vez e em maior velocidade, desmanchava-se impetuosa no horizonte à desafiar o  desconhecido.

A noite já se fazia intensa quando todas as outras ondas dormiam, exceto uma, que balançava no movimento da maré num olhar fixo à terra firme temida. Assustada, já pressentia que teria que atender ao chamado, era forte demais para resistir e antes mesmo de iniciar a jornada, tomou uma respiração profunda e partiu em direção a praia. Cada metro que avançava, mais vigor a onda sentia, e o que antes a enfurecia, inundava-a de prazer, fazendo com que um turbilhão de gostosas sensações a invadissem. O sentimento era tamanho que agora a onda somente pensava no grande estouro que daria pouco antes de banhar as areias. Tal determinação acordou todas as ondas que seguindo a onda guia, tornaram o mar agitado. Turbilhão para todo o lado. Já amanhecia quando a jovem se uniu ao vento para mais forte buscar a praia. Tomou uma respiração mais profunda e sentiu um odor desconhecido, que entendeu como o da areia, e percebeu que o cheiro era bom e a agradava. Saída de um delicioso suspiro, estourou banhando de sensações algumas pequenas ondas que ainda dormiam próximo a praia e, já ansiosa pelo encontro, banhou as areias ainda quentes pelo arder do sol do entardecer anterior e inundou-se de prazer entre as espumas e cristais de areia. Naquele momento a jovem percebeu qual era o seu maior propósito e diferentemente das outras ondas que simplesmente iam e vinham sem saber mesmo porque, a partir daquele dia, e em todos os que se seguiram, após estar onde o mar dedilha o céu, a onda atravessava o oceano e amanhecia a brincar e banhar as areias da praia antes de qualquer outra onda conseguir atingi-las. Contam que a partir daquela manhã, em continente algum, nenhuma areia deixou de ser banhada.



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MINHA FRAÇÃO EMÍLIA - PARTE II

Outro exemplo de um desfavor na nossa prematura formação é o Conto de Fada da Cinderela. A linda mulher dançou a noite inteira com o príncipe encantado, se apaixonaram e como ela tinha horário para chegar em casa, precisou sair correndo da festa. Sequer tiveram tempo para as apresentações. Não tiveram tempo? Estiveram juntos a noite toda, bailaram e não trocaram uma palavra sequer, não conversaram, nem para saber os nomes? Não me surpreenderia se houvesse qualquer semelhança dessa falta de diálogo do mundo encantado com a ausência da “discussão da relação” nesse nosso mundo “real”.

 

Mas a Gata Borralheira, na correria, deixou cair o sapatinho de cristal em um dos degraus da escada, a partir daí o príncipe passou a procurar a sua amada e destacou-se como um fetichista, saindo, obsessivamente, em busca da donzela que calçará aquele sapatinho.  Alguns diriam que tal feito demonstraria a busca do grande amor, mas desconfio que ele era fetichista e casar-se-ia com a primeira que calçasse o tal sapatinho, fosse ela ou não. Nada contra os fetichistas, é que vendem uma imagem romântica desse príncipe em busca da sua futura princesa.

 

O jovem nobre, quando a viu, não a reconheceu. O estranho é que teve uma noite inteira ao lado dela, dançaram, apaixonaram-se e, mesmo assim, não a reconheceu. Prova consistente de que não a olhou de fato, pois se tivesse feito, não precisaria da comprovação do tal sapatinho, bastaria olha-la e saberia quem era ela. E o que vem a seguir? Um “e viveram felizes para sempre!”, seguido de mais um desfavor, afinal “felizes para sempre” passou a ser perseguido por muitos casais que, ao primeiro sinal de uma impossibilidade deste “para sempre”, abandona a relação e aumenta a vasta estatística dos casamentos desfeitos.

 

Minha implicância não se faz apenas em torno das relações, mas também poderia me esticar e pontuar que fomos influenciados até na escolha e na imagem de algumas das profissões, pois por anos atores, atrizes e músicos eram marginalizados, vistos como vagabundos, prostitutas, a escória da humanidade, eram profissões percebidas como indignas e aprendemos isso com os ingênuos “Os Três Porquinhos”. Heitor e Cícero, tocavam flauta, tambor, alegravam a bicharada, promoviam bailes populares, enquanto o Prático  era o exemplo da moral burguesa de que o trabalho dignifica o homem e que a arte, não é trabalho. O rescaldo disso é a arte ser aceita, confortavelmente, como hobby, mas inconsistente como um trabalho sério.

 

Poderia me prolongar e mencionar a famosa história da Cigarra e a Formiga de La Fontaine, por sinal, outro ‘autorzinho’ que deveria ser incluído nos novos paradigmas, mas as histórias estão aí e permanecerão eternas. Continuarão postando homens e mulheres em posições de não-força, em situações de desafeto, manutenções de picuinhas entre madrastas e enteadas, movimento de inação dos homens tolos que foram todos os que, nas histórias, pais-viúvos, casaram-se novamente e não perceberam o quanto as Brancas de Neve, as Cinderelas, os Joãos e as Marias estavam sendo renegadas em razão de suas escolhas. O mais incompreensível é que amanhã ou depois, sentarei com meus filhos, sobrinhos e lerei as mesmas histórias que foram lidas para mim e relidas por mim, e ajudarei a manter um véu de encantamento em torno dos palácios, dos príncipes e princesas, das feiticeiras,... afinal, a vida real têm sido cruel nos telejornais, pela violência e  pelas politicagens, e precisamos de fantasia, de promessas cumpridas, de príncipes que nos beijem e nos acordem desse sono eterno, de sapos que virem príncipes, etc.

 

Talvez os contos nem causem tantos estragos, talvez a gente é que não saiba ler a essência das histórias da carochinha,... talvez,...

 

(texto inacabado...)



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