“PAPIRUS em nova fase - em nova temporada - ALÉM DO PRINCÍPIO DO PRAZER
BLOG - STEER RH CONTATO













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Mais além do Princípio do Prazer
 Em .A. aprecio e daí, atrevo-me
 Absorvendo mim Mesmo
 Anti-Marmotagem
 Aquarela das Cores
 Em .B. bailo ao bel-prazer
 Botequim Poético
 Breves Histórias Cotidianas
 Em .C. cadencio em movimentos
 Celebreiros
 Em .D. desejo em desmensura
 De Gaulle Tinha Razão
 Dígito
 Em .E. efervecente emoção
 Ensaios do Eu
 Escucha me Porra
 E tenho dito
 Eterno Amor de Platão
 Em .F. farto-me da fome
 Feita em Versos
 Em .G. garimpo gozos
 Grande Onda
 Giramundo (...) Girassol
 Em .H. de haver faço harmonia
 Em .I. me inspiro com impudor
 Em .J. faço jus
 Em .L. latejo em labirintos
 Em .M. descubro outros matizes
 Mamas e Tramas
 Marcelo Brettas
 Moacir Caetano
 Monolito
 Mude
 Muiraquitã
 Em .N. norteio o que vinga
 Neurotóxicos e Chuvas Esparsas
 No Problem
 No Lado Escuro da Lua
 Em .O. observo o oculto e ouso
 Em .P. percorro-me em paixão
 Patrícia Costa
 Pérolas de Pérola
 Primícias Poéticas
 Em .Q. alimento meu querer
 Em .R. reedito o risco
 RevelAções
 Revelando Segredos
 Em .S. saboreio e me sincronizo
 Sabor de Gente
 Semeando Palavras
 Sem Pé Nem Cabeça
 Shilolo
 Em .T. tesão, textura e talento
 Textura
 Troca Letras
 Em .U. me umideço e ultrapasso
 Em .V. valorizo e verborrageio
 Vergonha dos Pés
 Véu de Maya
 Vida como uma Rosa
 Em .W. viro wildiana
 White Star
 Em .X. xereteio
 Em .Z. zanzo em zás-tras
 
 FOTO RABISCOS
 Ady Morena
 Kele Santana
 Moacir Caetano I
 Moacir Caetano II
 Moacir Caetano III







ALÉM DO PRINCÍPIO DO PRAZER
 

BANQUETE

 

Sirva-o aos porcos, se o quiserem

mas terão que se fartar.

 

Algum há que comprometer-se

e devora-lo até o fim.

 

Basta de lobos vadios

que saciam-se assim que o expõem.

 

Basta de gente miúda que o pendura no prego

e não se deleita.

 

Basta que a ameaça da força contida no órgão

assuste em demasia e que só o abandono seja a escolha possível.

 

Chega do medo incontido

que paralisa os atos que a boca profere.



 Rabiscado por Decca às 21h01 [] [envie este rabisco]


ÂNSIA

Hoje vomitei você. Quase não o reconheci boiando aos pedaços no ladrilho claro. Era certo que precisava sair aos pedaços. Não havia força suficiente em mim para expulsá-lo inteiro. Lhe fiz maior do que é. Lhe melhorei. E ali estava você, como talvez sempre fora antes que eu o remontasse mais belo.

 

Hoje vomitei você e percebi o quanto de mim estava ali, boiando. Havia mais de mim revestido de você do que você mesmo.

 

Hoje, depois de vomitar você, vomitei a mim.

 

E quanto a este mal estar que não me liber(t)a?



 Rabiscado por Decca às 14h14 [] [envie este rabisco]


DEVANEIOS

Um dos cotovelos fortemente apoiados sobre a mesa, a cabeça pendente e preguiçosa sobre a mão, enquanto a outra folheava, página após página, o livro grosso. Os olhos fixos e perdidos na caneta tinteiro, liam uma letra sequer da edição antiga de um diário não escrito. Chamou-lhe a atenção um perfume que insistia em destacar-se do cheiro mofado que antes prevalecia no ar. O forte odor renovado fez os olhos escorregarem para a ausência daquela história. Rosas? Alecrim? Tomou-lhe num rompante uma lembrança desfalecida, acontecida há muito e muitas folhas atrás e apenas se dera conta enquanto a contra-capa finalizara um tempo. Seria, ao menos real, o olfato que a lembrança acusara em meio a confusão dos devaneios?



 Rabiscado por Decca às 10h35 [] [envie este rabisco]


DESCALÇANDO

Se parasse e olhasse ao redor ou em si mesmo, em qual dos objetos, mais se identificaria? Qual, entre os tantos ao teu redor, diria mais de você?”

 

Uma pergunta parecida com essa foi feita em uma dinâmica que participei e na hora pensei que me explicaria mais com os objetos do que comigo mesma. Explico-me,... poderia falar do brinco e dizer de mim, que preso em uma das extremidades, pende a esmo, desafiando a lei da gravidade e ousando na capacidade de balançar, não despencar e ao mesmo tempo sempre pendurado. O mesmo seria se tivesse escolhido o relógio, a bolsa, o R.G., mas algo me fez escolher o tênis e, raramente, uso tênis, a não ser nos momentos de atividades físicas, mas foi, justamente, o que escolhi. Talvez porque a caminhada seja árdua, talvez porque esteja gasto, usado, mas o solado ainda me permite ir mais longe, ir além. Protege, confortavelmente, ao mesmo tempo em que cuida e não sufoca. Promove o equilíbrio, adere ao chão, ao mesmo tempo em que impulsiona à saltos maiores, absorvendo o impacto do contato na volta. Os laços propõem os vínculos,  nem sempre amarrados. O couro, o natural e, finalizando, são dois, companheiros que são, um em cada pé, simétricos como se olhassem a si mesmo em um espelho, onde um diz do outro, durante o percorrer da jornada, mas raramente se encontram, a não ser na passagem.

 

E você, o que escolhe e o que o objeto identificado diz de você?



 Rabiscado por Decca às 22h26 [] [envie este rabisco]


7'

A hora cheia estava paga. Pediu para que a moça ficasse em pé a sua frente, enquanto, sentado na poltrona de couro vinho, sequer a olhava. A moça esperava alguma ordem para tirar a roupa, porque se ele assim desejava, assim tinha que ser. Durante uma hora seria dele. Ficou ali por longos minutos, vestida e encabulada. Os dedos ágeis que sabiam desabotoar, matreiramente, o corpo a venda, estavam confusos nessa nova condição. Bastava pedir e saberia o que fazer, mas ele nem a olhava. Jamais alguém a pagara, para não despir-se. Uma situação constrangedora se apossou de si. Fez menção de avançar um passo em direção ao homem e a grande mão antecipou o gesto para que permanecesse ali. Havia se deparado e participado de fetiches estranhos, mas aquele a incomodava em especial. Havia apanhado, batido, amordaçado e urinado. Vestira fantasias e objetos contundentes. Estivera com homens e mulheres, novos ou não, com casais, a dois, com mais ou em orgias, por dias. Hoje, era a primeira vez que, vestida, sentia-se nua. Sentia-se ela mesma e isso a perturbava. Em uma olhada rápida em direção ao relógio percebeu que ainda lhe restavam 53 minutos. Estava a menos tempo do que pensara naquela condição e sentia que o homem a sua frente, já sabia mais de si do que dispunha de si mesma e a desnudara no que vinha guardando, secretamente. Os olhos dele, finalmente, levantaram em sua direção, fitou-a, profundamente, e enquanto prenunciava um “dispa-se”, disse-lhe: "Vá!". Amendrontada na incompreensão pelas dezenas de minutos que ainda restavam, pegou a bolsa, abriu a porta e saiu, atordoada.  Vagabunda nos olhares distantes dos com os quais se relacionou, sentira que ficara aprisionada na ternura daquele instante. Tirou as sandálias, depositou os pés no chão firme e andou pela cidade. Naquele dia, não mais trabalhou.



 Rabiscado por Decca às 08h45 [] [envie este rabisco]