Rabiscado por Decca às 10h46
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EQUÍVOCOS DO AMOR
Decca e Rodrigo Paniago
Obs.: o texto provocou uma versão em esquete para teatro e foi apresentado em Goiânia em 2006.
- Por favor abra a porta. Abra agora e sem pavor. Não tenha medo de mim. Eu sou a luz que te acende o caminho. O calor da lareira em noite fria. Pelos Santos! Abra já essa porta! Sou a liga que une seus cacos. Sou a alegria e leveza do vinho que te embala na valsa.
- Não abro! Vá embora de uma vez. Não é medo. É brio. Não sou vespa para que me atraia à luz. Seu caminho é o das pedras que sangra os pés. Sou toda cristal quebrado. E sua liga? Essa, uni o cristal em pó? Sua melodia é dança solitária. Vá embora, já é tarde. Ou será que achas mesmo, que basta que, me digas: “POR FAVOR, ABRA!” e seja feita a tua vontade?!
- Então é isso?! Se posta animal arisco negando a necessidade do meu aconchego? Prefere prosseguir caprichosa, arredia e forçando uma sofreguidão que já não mais persiste? Porque insiste em manter-se pó, se o que o horizonte aponta é mais armação, do que desmanche. Goza de ver-me ao chão seguindo rastros de dor e de rancor, só não percebes que é paixão. O que impele sangria aos teus pés, não conquistas em meu caminho, expurgas de tuas próprias entranhas-bases, mas batiza-os, como se meus, fossem.
Rabiscado por Decca às 21h29
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